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December 31, 2012
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O que é meu eu nunca soube
Mas sei o que me foi retirado
Sinto ainda o despregar da vida do meu corpo
Como um nado-morto arrancado a ferros
Mas eu eu continuei vivo
Desafiando a racionalidade e a biologia humana
De que não se escapa
Mas eu ainda ando ainda olho ainda procuro
Um refúgio ou um nome um abraço ou um coração
Onde me abrigar do fim do mundo
Porque o inferno que muitos temem já eu vivo
E nele caminho há já muitos anos
Habituei-me a ele como quem se habitua à ausência de um braço
Ou de uma perna
Ou de um coração que foi arrancado de mim antes de o sentir bater
Às vezes sinto-o bater ao longe palpitando como que se me chamando
Percorro os destroços das ruas desviando-me das labaredas que me lambem como línguas esfomeadas
Desvio-me dos corpos e dos nomes e das memórias impressas nas paredes e nas horas
Que já passei a deambular por este inferno
Por este fim de mundo
Caminho tanto até não poder mais e é quando ouço o palpitar cessando
O bater do meu coração longínquo acalmando-se
Páro sem saber onde estou ou onde está o que é meu que me foi retirado
Que nunca soube ou senti ser meu
O seu nome ou feitio o meu sangue que afinal não é meu
Pois o que é meu eu nunca soube

.

Pedro Alves
febre
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